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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 05.10.14

«Os Gatos Não Têm Vertigens»

narrativadiaria

 

 

Portugal, 2014
Realização: António-Pedro Vasconcelos
Atores: Maria do Céu Guerra, João Jesus, Fernanda Serrano, Ricardo Carriço, Nicolau Breyner, Tiago Delfino, António-Pedro Vasconcelos, Joaquim Leitão, José Afonso Pimentel, Adelaide João, Sara Barros Leitão, Tino Navarro
124 minutos

Jó (João Jesus) é um jovem delinquente que cresceu num bairro problemático de Lisboa. Abandonado pela mãe enquanto criança e expulso de casa do pai no dia em que completa 18 anos, acaba por encontrar abrigo no terraço do prédio onde vive Rosa (Maria do Céu Guerra), uma idosa de 73 anos, viúva de Joaquim (Nicolau Breyner) que, apesar de morto, está sempre presente no imaginário da viúva.

Quando Rosa descobre que tem um novo inquilino no terraço decide conhecê-lo e aí nasce aí uma amizade improvável.

Os Gatos não Têm Vertigens é uma agradável surpresa por várias razões. A primeira é que Jó e Rosa são personagens bem construídas, que retratam alguns problemas sociais com os quais nos confrontamos amiude. É, aliás, através do jovem adolescente e a septuagenária que o realizador, António-Pedro Vasconcelos, vai explorando alguns temas do quotidiano, como: o desemprego, os jovens problemáticos, a violência doméstica, a solidão dos idosos.

Depois, por que o filme é um drama preenchido por momentos hilariantes, mas sem cair em melodramas nem em tentativas fáceis de criar um relação personagem/público e finalmente por que é um história simples, que facilmente chega ao grande público que não lhe fica indiferente.

Também o elenco é fantástico. João Jesus, um estreante no cinema depois de algumas passagens fugazes pela televisão, foi a grande revelação com um desempenho excelente. A química que o jovem ator tem com a atriz Maria do Céu Guerra é notável e os dois proporcionam cenas deliciosas. Destaque ainda para aprestação de Fernanda Serrano, atriz que encarnou Luísa, a filha de Rosa, de uma maneira muito bem conseguida, bem como do genro (Ricardo Carriço).

 Por tudo isto, os Gatos não Têm Vertigens é um ótimo filme, com grandes interpretações, uma vista soberba sobre Lisboa e ainda uma excelente banda sonora onde a cereja no topo é a canção original de Ana Moura, Clandestinos no Amor.

Se não viram, não percam.