Passos Coelho e a TSU

Bem sabemos que a «coerência» em política é um termo que não tem grande credibilidade, já que os políticos afirmam, com uma enorme facilidade, uma coisa e o seu contrário.
Vem a propósito da descida da TSU para as empresas que está prevista no acordo de concertação social, como forma de compensá-las pelo aumento do Salário Mínimo Nacional. Tanto o BE como o PCP admitiram levá-la ao parlamento, caso o Governo insista na sua redução e Passos Coelho, espantem-se, também admitiu votar contra esta proposta ao lado dos partidos que apoiam a «geringonça», afirmando perentoriamente: «Não peçam o nosso apoio para isso. Se dentro da maioria não se entendem para resolver este problema e forem os próprios partidos da maioria a levar a questão à Assembleia da República, o nosso voto não têm. Isso que fique claro».
Independentemente da bondade da medida, e eu tenho algumas dúvidas da sua eficácia, certo é que Pedro Passos Coelho enquanto primeiro-ministro, sempre defendeu a descida da TSU para as empresas, ao mesmo tempo que baixava salários, com a justificação de fomentar a criação de postos de trabalho. É de facto surpreendente vir agora mudar de posição ao sabor do vento e das conveniências.
É que afinal Passos Coelho, pese embora a bandeirinha na lapela e a suposta pose de Estado que aparenta, não é senão é um líder fraco, que necessita de recorrer reiteradamente ao tacticismo e ao oportunismo político.
Ao alinhar com a extrema-esquerda parlamentar para derrotar o Governo, o PSD desrespeita o acordo de concertação social, à semelhança da CGTP — o único parceiro social a ficar fora do acordo de concertação —, mostrando ser uma oposição irresponsável, movida por ódios e vinganças, ficando assim responsável pela não aprovação da proposta no Parlamento.