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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Qua | 30.07.14

Poderão os depositantes do BES estar tranquilos?

 

 (imagem do google)

A turbulência vivida pelo Grupo Espirito Santo (GES) em geral e pelo BES em particular tem levado muitos dos depositantes do banco, nos quais me incluo, a questionarem se deverão ou não manter as suas poupanças depositadas naquele banco.

Esta é naturalmente uma pergunta legítima e compreensível, face à instabilidade e incerteza  daquela instituição e que ganha maior dimensão à medida que vão sendo veiculadas na comunicação social novas notícias sobre o BES.

O BES é um dos maiores bancos nacionais, sendo mesmo o maior banco português cotado na bolsa e a segunda maior instituição financeira a operar em Portugal.

Isto, só por si,  justifica o facto de o país ter estremecido face às primeiras notícias da crise no BES. A possibilidade de estarmos perante um novo e mais catastrófico caso BPN inquietou milhões de depositantes e de portugueses.

O BdP foi forçado a  emitir um esclarecimento público destinado a esclarecer as dúvidas do público em geral, mas principalmente para tranquilizar os depositantes do BES. O comunicado do BdP referia que o BES continua a apresentar uma situação de solvabilidade, a qual foi até reforçada recentemente através do aumento de capital da instituição. Esta entidade reguladora referia ainda a adoção de diversas ações de supervisão, destinadas a reduzir os riscos de contágio entre o GES e o BES. Estas medidas visam sobretudo impedir que os problemas resultantes do ramo não-financeiro do GES pudessem de alguma forma contagiar o banco.

Outra das principais preocupações de quem tem dinheiro depositado no BES tem a ver com queda abrupta do valor das ações do BES que se tem verificado ultimamente na bolsa.

Ora, aqui importa perceber que o mau desempenho das ações na bolsa não compromete a integridade dos depósitos. A queda das ações reflete sobretudo a desconfiança que os investidores estão neste momento a sentir face ao banco. No sistema bancário nacional encontramos no passado um caso paradigmático. No pico da crise financeira, as ações do BCP desvalorizaram significativamente ao ponto de valerem apenas três cêntimos por ação. Contudo,  esta queda acentuada do valor das ações do BCP não comprometeu o normal funcionamento do banco, nem colocou em causa a integridade dos depósitos. Isto porque a solidez de um banco está diretamente associada à sua capacidade de cumprir as responsabilidades que lhe são inerentes e não ao valor das suas ações no mercado bolsista.

Ainda que a realidade futura desmentisse tudo o que foi anteriormente exposto, se as garantias do BdP porventura falhassem e se o BES realmente caísse, qual seria então o cenário para os depositantes?

Na eventualidade do pior cenário se concretizar, os depositantes poderiam ainda contar com a proteção do Fundo de Garantia de Depósitos. Este fundo é da responsabilidade do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras e tem como principal missão assegurar o reembolso dos depósitos realizados nas instituições de crédito aderentes. Na prática, isto significa que depósitos até 100 mil euros estão cobertos por este Fundo de Garantia.

Até porque num quadro meramente teórico, se todos aqueles que hoje questionam: «Devo tirar o meu dinheiro do BES?», o fizessem, tal ação desencadearia e aceleraria seguramente a queda do banco, com as consequências negativas inerentes para todo o tecido financeiro português.

Acresce, ainda, que as instituições financeiras portuguesas ainda dispõem de cerca de 6,4 mil milhões de euros, valor ao qual poderão recorrer em caso de necessidades. Este é mais um do motivos que deve servir para tranquilizar todos os depositantes do BES.

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