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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Dom | 11.03.18

Professor Doutor Passos Coelho

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Pedro Passos Coelho (PPC) abandonou as funções de deputado da Assembleia da República para ir dar aulas na área da Administração Pública e de Economia no ISCSP (Universidade de Lisboa), usufruindo de um salário equiparado ao de professor catedrático, topo da carreira docente no ensino universitário.

 

As reações não se fizeram esperar: um grupo de alunos daquela universidade fez mesmo um abaixo-assinado contra a ida de PPC para aquela universidade, protestando quanto à contratação do antigo primeiro-ministro que se afigura «uma afronta à meritocracia».

 

Junto-me a coro de críticas por quatro razões:

 

Primeiro, porque considero que, não obstante a experiência como primeiro-ministro, não é aceitável que alguém apenas com o grau de licenciatura e sem trabalhos de investigação que se conheça ou um percurso académico digno de destaque possa dar aulas a alunos com um grau académico superior ao seu. Parece-me um contrassenso!

 

Segundo, porque há regras e procedimentos que devem ser seguidos para se poder ser professor universitário. Um professor catedrático, julgo eu, deve ter o grau de doutoramento e não basta ter simplesmente experiência para o conseguir. Não se pode ser docente universitário através de um programa tipo «Novas Oportunidades», criado por José Sócrates para aumentar a escolaridade e criticado, bem, pela oposição pelo facilitismo que o mesmo continha.

 

Terceiro, porque não deixa de ser curioso que a nomeação seja feita justamente por alguém que foi promovido a deputado do PSD pelo próprio PPC.

 

E finalmente porque este é precisamente o tal governante que mais cortou na educação pública em prol da privada; que queria uma redução significativa da função pública; que convidava os portugueses a emigrar e que via o desemprego como uma oportunidade para sair da «zona de conforto».

 

Depois queixem-se da qualidade do ensino superior!

 

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