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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Dom | 09.11.14

Queda do Muro de Berlim foi há 25 anos

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A queda do Muro de Berlim, um marco do fim da Guerra Fria e símbolo do desmantelamento do bloco socialista do leste europeu, completa hoje 25 anos.

O Muro de Berlim foi construído no ano de 1961. Em agosto desse ano houve uma migração do lado oriental da Alemanha para o ocidental em busca de melhores oportunidades de vida. A fim de prevenir o êxodo dessa parte da população, o governo da Alemanha Oriental decidiu construir um muro, de forma a separar definitivamente os dois setores, proibindo a sua passagem. Com 156 km de extensão, o muro separou famílias e amigos, e deixou a parte oriental com menos recursos e poucos investimentos, enquanto a parte ocidental tinha forte injeção de capital americano e crescimento económico.

O desmantelamento do muro marcou o fim de um ciclo na Europa e no mundo. Terminou, assim, a barreira física entre a parte ocidental e oriental da Alemanha. Contudo, a reunificação alemã não deixou de evidenciar uma Alemanha dividida em matéria de desenvolvimento económico, uma vez que a parte anteriormente comunista deparava-se com fracos níveis de progresso. Com a reintegração, a ex-RDA é introduzida na Comunidade Económica Europeia, atual União Europeia (EU), após o Tratado de Maastricht.

A queda do muro e a consequente abertura a Ocidente, bem como o colapso do sistema comunista do leste Europeu, permitiram que as fronteiras internas europeias fossem abertas. Esta abertura possibilitou o alargamento ao leste da Europa que apontava como objetivo uma maior coesão económica e social. Ficaria assim consolidado o mercado único, que em 1993 seria o mais importante acontecimento da UE. Com o desaparecimento das barreiras físicas, pessoas, mercadorias, serviços e capitais passariam a circular na Europa tão livremente como se de um único país se tratasse.

Outra consequência da queda do muro e da implosão do império soviético foi a independência de vários países. As jovens democracias foram auxiliadas pela EU, de modo a reconstruírem as suas economias e a implementarem as reformas políticas necessárias. E Junho de 1993, a declaração do Conselho Europeu de Copenhaga possibilitaria aos países associados da Europa Central e Oriental a tornarem-se membros da União.

Assim, países como a Estónia, Letónia, Lituânia, República Checa, Hungria, Polónia e Eslováquia, antigos países que integravam ou eram aliados da União Soviética, juntar-se-iam à União Europeia em 2004, após cumprirem os critérios definidos pelo Conselho Europeu, critérios esses que passavam por medidas políticas e económicas. Três anos mais tarde, em 2007, a Bulgária e a Roménia também haveriam de aderir à UE.

Podemos ainda apontar outras consequências aquando da queda do muro de Berlim e do consequente colapso soviético: a prevalência de mercados globalizados, sem barreiras; novos fluxos migratórios e a internacionalização de novos mercados.

Apesar da queda do muro ter trazido mudanças significativas, também gerou expetativas que 25 anos mais tarde continuam por cumprir e muitas ameaças têm despontado nos últimos tempos, nomeadamente o espetro da Guerra Fria com a crise na Ucrânia cujo destino está dependente dos confrontos entre EUA-UE e a Rússia e muitos têm chamado à atenção para um possível confronto entre as chamadas grandes potências mundiais.

Angela Merkel vivenciou todos estes períodos de reunificação da Alemanha. Apesar de ter nascido na Alemanha Ocidental acabou por se mudar, com poucos meses de vida, para a República Democrática Alemã.

Em 1989, ligou-se a movimentos pró-democracia na Alemanha de Leste e, em abril de 1990, iniciou a sua carreira política como porta-voz do único governo democraticamente eleito no seu país, antes da reunificação. Merkel resolveu, entretanto, ir viver para o setor ocidental de Berlim e ingressou na União Democrata Cristã (CDU), liderada por Helmut Kohl, que a convidou para ministra da Mulher e da Juventude logo em 1990, imediatamente a seguir à reunificação alemã. Posteriormente, em 1994, passou a desempenhar o cargo de ministra do Ambiente e permaneceu no governo até 1998.