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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 16.05.15

Reflexões sobre Sondagem de Maio para as legislativas

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Os resultados estatísticos da última sondagem realizada para o Expresso e para a SIC permitem-nos extrair as seguintes conclusões:

O PS, depois de conhecido o cenário macroeconómico bem como o polémico SMS de António Costa enviado a um jornalista do Expresso, mostra uma ligeira subida e continua a ser o partido preferido do eleitorado, situando-se atualmente nos 38,1%, mais 0,6% que a sondagem anterior e 4,5% mais que a coligação de direita.

A coligação PSD/CDS após a intenção dos dois partidos manifestarem a intenção de concorrerem juntos às legislativas, caiu nas intenções de voto. Tem agora 33,6%, menos 1,1% face ao último barómetro, o que até certo ponto era expectável, porque é raro uma aliança eleitoral ter a capacidade de captar todos os votos dos partidos que a compõem. Há sempre franjas de cada um dos partidos que escapam, sendo muito provável que esse eleitorado se tenha deslocado para o PS.

Os resultados do presente barómetro mostram-nos claramente que a maioria absoluta é quase uma impossibilidade. O PS, por exemplo, teria que conquistar mais 13 deputados para atingir tal desiderato, o que não se afigura fácil.

Posto isto e a fazer fé nas sondagens, o cenário que temos pela frente é o de total indefinição depois das eleições legislativas. E a julgar pelas declarações proferidos pelos líderes dos dois maiores partidos não há qualquer possibilidade de um governo de bloco central.

Por outro lado o Presidente da República já fez saber que quer que o próximo governo seja estável. Para tal, o partido vencedor terá que tentar negociar consensos parlamentares com outros partidos, de modo a dar garantias de estabilidade e governabilidade. Mas, uma coisa é tentar, coisa diferente é conseguir.

Como a Assembleia da República não pode ser dissolvida nos primeiros seis meses após as eleições, nem no último semestre do mandato presidencial que fará Cavaco caso o partido vencedor não obtenha tais acordos? Dará posse a um governo minoritário? Deixa a atual maioria continuar a governar mais seis meses em agonia, com uma legitimidade eleitoral ferida? Convoca novas eleições? Em qualquer dos casos Cavaco arrisca-se a ficar naquela posição em que vai ser atacado, independentemente da posição que tomar.

Uma coisa é certa: Cavaco Silva criou um enorme problema a si mesmo ao afirmar que o próximo Governo terá de possuir um apoio maioritário na Assembleia da República e não havia necessidade....