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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 04.09.14

Regresso às aulas

narrativadiaria

 (imagem do google)

As aulas para os ensinos básico e secundário têm início na próxima semana. Mochilas, cadernos e canetas e toda a parafernália de material escolar despertam a atenção dos alunos. Já os pais estão mais focados nos preços.  É que entre livros e material escolar o preço por aluno pode ascender a 500 euros, o que constitui naturalmente um rombo no orçamento das famílias.

Em países económica e socialmente mais desenvolvidos os manuais escolares são gratuitos e a sua validade é suficientemente ampla para que possam ser partilhados por um número significativo de alunos.

Em Portugal não, porque o  lóbi  mantém-se. Todos os anos há que adquirir novos livros devido às constantes alterações dos curricula ou às mudanças de edições.

No limiar do aceitável dever-se-ia exigir que os manuais tivessem, pelo menos,  a validade de cinco anos, por forma a que todos os elementos de um agregado familiar pudessem fazer uso dos mesmos. Em alguns municípios e freguesias a fim de minimizar os custos já foram criados, com êxito, «bancos de livros escolares» que permitem a reutilização de manuais, permitindo não só a poupança em termos de dinheiro, mas também de papel.

O princípio social da Educação começa nos livros. Não podemos ter famílias sem rendimentos ou a auferirem o salário mínimo a pagar 400 ou 500 euros em material escolar. São despesas astronómicas. Ao contrário do que se diz, a escolaridade obrigatória em Portugal não é gratuita. Porque para além dos impostos, os encarregados de educação têm que suportar os custos inerentes aos manuais, material escolar, transportes e refeições. Tendo em conta que as escolas têm reduzido os tempos letivos por carência de recursos, há crescentes dificuldades em proporcionar apoios mais individualizados aos alunos.

Para além disso, verifica-se uma progressiva destruição da escola como instituição que deveria permitir aos alunos o contacto com determinados bens culturais, como a música, o teatro, o desporto e atividades fundamentais para o desenvolvimento harmonioso de qualquer jovem.

Assim, que quem quiser proporcionar aos filhos uma educação mais completa e integrada terá de pagar por isso. Tendo em conta o empobrecimento geral da população portuguesa e a destruição da escola pública, é fácil perceber que os jovens estão, na sua maioria, a ser afastados de uma educação com um mínimo de qualidade.

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