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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 28.03.19

Relações Familiares no Governo PS

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É um assunto que está a marcar a atualidade e a gerar polémica e já se percebeu que vai ser um tema que a oposição vai retomar em próximos atos eleitorais, caso não tenha outros trunfos.

 

Penso que a existência destas teias familiares no governo socialista são mais o resultado da falta de opções do primeiro-ministro e da descredibilidade dos cargos políticos do que propriamente atos de nepotismo. Como se sabe, hoje, a política e os cargos governativos não são funções aliciantes para altos quadros do país. É uma atividade mal paga e sujeita a um escrutínio permanente, dai que seja mais fácil recrutar nos círculos familiares e de amizade.

 

Sempre achei que o importante é o mérito, a competência técnica ou a capacidade política de cada uma destas pessoas, por isso mesmo sou contra as quotas, mas tantas relações familiares dentro do governo parece-me no mínimo exagerado e pouco saudável em democracia.

 

É que um governo constituído por laços de consanguinidade fortalece certamente a lealdade entre os seus membros, mas, por outro lado, enfraquece a capacidade de crítica, a reflexão interna e pior, aumenta a desconfiança dos cidadãos porque coloca em causa a legitimidade das suas medidas e ações e não assegura uma imagem de responsabilidade, independência, integridade e credibilidade.

 

Ora, como se sabe, nada impede o Governo de nomear familiares, mas, como dizia ontem e bem a Dra. Manuela Ferreira Leite, quando há relações intimas tão próximas «com alguma dificuldade uma filha critica o projeto que o pai leva a conselho de ministros e vice-versa. O debate, a controvérsia, o contraditório perde-se ou pelo menos enfraquece-se».