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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 22.02.14

Resultados da 10ª avaliação e recomendações do FMI

narrativadiaria

 (retirado em google)

No relatório final da 10ª avaliação ao programa de ajustamento português o Fundo Monetário Internacional (FMI) poe em causa a narrativa que o Governo tem vindo a construir sob o «milagre económico».

O FMI diz, expressamente, que o desemprego está em níveis «inaceitáveis», embora reconheça que tem havido uma descida nos últimos meses. Mas, adverte que o desemprego jovem atingiu os 37 %. Defende ainda que os custos salariais em Portugal têm de baixar ainda mais.

Segundo este organismo, o ajustamento externo expresso através da balança comercial  ̶ grande bandeira deste governo  ̶  foi conseguido substancialmente devido ao efeito conjugado da queda das importações com o crescimento das exportações de combustíveis. Portugal por força da recessão verificada nos últimos anos deixou de importar, mas as exportações da venda de combustível da Galp ao exterior foram responsáveis por metade do aumento das exportações portuguesas em 2013, tendo sido decisivas na evolução das exportações e isso permitiu equilibrar e a balança comercial. Contudo, o FMI avisa que os ganhos conseguidos podem ficar em causa «assim que as importações recuperarem de níveis anormalmente baixos e as unidades de refinação eventualmente esgotem a sua capacidade extra» sendo que a melhoria registada na exportação de serviços, designadamente no turismo, é também muito vulnerável a choques na procura. No fundo, o que tanto FMI como Comissão Europeia vêm dizer é que os sinais positivos da economia não têm um crescimento sustentando e que as reformas essenciais estão por fazer.

O relatório observa que os riscos de Portugal não atingir os seus objetivos continuam elevados. O FMI assume que há um novo risco de chumbo do Tribunal Constitucional (TC) (depois de a oposição ter pedido a fiscalização ao Orçamento de 2014). Para o FMI, os chumbos do TC «complicam os esforços do Governo» para reduzir o défice e «geram incertezas», potencialmente negativas para o crescimento e o emprego. Entre os grandes desafios do país, o FMI aponta para o endividamento das famílias e das empresas como entrave ao consumo e o investimento e a dívida pública elevada.

A três meses do final do resgate, Portugal só conseguiu dois terços da consolidação estrutural pretendida. O que falta do ajustamento ficou para 2014 e 2015, com a austeridade distribuída de forma semelhante pelos dois anos. Na verdade, o FMI lembra que o défice previsto para 2015 é de 2,5%, o que vai obrigar o governo a tomar medidas adicionais permanentes no valor de 1,2% ou seja, o equivalente a 2 mil milhões de euros de cortes na despesa.

O FMI determina ainda que Portugal reduza as rendas e aumente a concorrência nos sectores não transacionáveis (onde se inclui a energia), para que o ónus do ajustamento não recaia de forma excessiva sobre os trabalhadores, e em particular dos trabalhadores não qualificados.

Trata-se portanto de um grande "inconseguimento" que nos vai levar a um estado ainda mais "frustacional", uma vez que não vamos conseguir atingir nunca o "soft power sagrado" de um nível de vida condigno neste país!!! Resumidamente é isto!