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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 17.09.14

Seguro propõe redução de deputados para 181

 (imagem do diário digital) 

Em vésperas de eleições primárias vale tudo.  António José Seguro teve como que uma epifania e apresentou duas propostas que, a serem aprovadas, terão influência já nas eleições legislativas do próximo ano.

O secretário-Geral socialista quer reforçar as regras de incompatibilidades de titulares de cargos políticos, bem como  debater a alteração da lei eleitoral à Assembleia da República até ao final do ano para que esteja exequível aquando das eleições legislativas de 2015.

A redução do número de deputados é uma problemática complexa que não deve ser discutida com ligeireza e sobretudo tendo como pano de fundo o populismo e a demagogia.

É óbvio que a redução do número de deputados não resolveria os problemas financeiros do Estado, mas é inquestionável que contribuiria para a redução da despesa pública  e daria um sinal de moralidade ao país e, nessa medida, merece ser discutida.

Porém, tal redução do número de deputados implicaria sempre um maior distanciamento entre deputados e eleitores, uma vez que cada deputado eleito representaria mais eleitores, bem como uma redução substancial da representatividade territorial, pois haveria muito menos deputados para eleger pelos círculos uninominais ou plurinominais, com menor possibilidade de eleger deputados fora das elites partidárias.

Contudo, tal proposta é completamente inoportuna no atual contexto político. Como se percebe, a ser aprovada, prejudicaria fatalmente a representatividade dos pequenos partidos, correndo até o risco de subsistirem apenas PS e PSD.  Como tal, dificilmente o PSD aceitaria esta solução, em coligação, face às pressões que inevitavelmente teria por parte do CDS para manter o atual sistema.

De realçar, por isso, que esta proposta que Seguro jogou nesta altura do ‘campeonato’ não é inocente, pois pretende essencialmente colher popularidade junto dos eleitores na disputa interna do PS, como também criar clivagens nos partidos da coligação.

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