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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 24.02.14

Sobre a derrota do FCP no Dragão

 (imagem do google)

Na 20ª jornada da Liga Zon Sagres, o Estoril fez História ao impor-se no Estádio do Dragão com um golo de grande penalidade obtido por Evandro aos 78 minutos. Na ressaca de um mau resultado frente ao Eintracht de Frankfurt (2-2), o F. C. Porto (FCP) vacilou  no momento em que se exigia uma resposta forte. É a primeira derrota caseira,  cinco anos e meio depois, depois do FCP ter então perdido em casa com o Leixões.

Mas não basta criticar a equipa da casa. Há muito mérito do Estoril-Praia, que depois de uma época notável, viu partir alguns dos seus melhores jogadores. Ontem mesmo, no Estádio do Dragão, sem de um dos seus melhores jogadores, mostrou que pratica um bom futebol, capaz de competir com qualquer equipa.

Como bem sabemos os campeonatos são feitos de vitórias, empates, mas também de derrotas. Todos os clubes passam por isso.  Mas os adeptos do FCP  vivem  noutro mundo. Para eles perder, e então  em casa, é inadmissível. Para esta cultura desportiva  muito  tem contribuído sobretudo a qualidade do nosso futebol, a complacência dos dirigentes e dos árbitros com o FCP, o famoso “sistema” e os casos do “apito dourado”.

Penso, contudo,  que não restarão muitas dúvidas que este FCP de Paulo Fonseca em termos qualitativos estará a longe dos últimos anos, pois jogadores como Hulk, James Rodriguez e João Moutinho eram mais-valias e faziam toda a diferença.

Aos olhos da maioria dos sócios e simpatizantes do FCP, habituados há vários anos a um nível futebolístico e resultados desportivos acima da média, que se têm refletido na conquista de vários títulos nacionais e internacionais, perder um simples jogo torna-se um drama.

Mas será que faz sentido, neste altura do campeonato, despedir o treinador do FCP? Penso que não,  e por várias razões: não faz parte da filosofia do clube despedir treinadores durante a época; não existe uma grande desvantagem pontual para com os  principais rivais; quem quer que chegue terá que começar praticamente do zero (como outra tática, como novos métodos, tc); por último, e talvez o mais importante,  Pinto da Costa  sabe bem que à 20ª jornada nenhum treinador conseguirá inverter o ciclo, sabe ainda melhor que ninguém  que, esta época,  não tem jogadores para "tirar" o título ao Benfica (embora até ao lavar dos cestos seja vindima). Mudar agora e falhar seria cometer dois erros – a aposta em Fonseca e a sua saída com mais de meio campeonato disputado. Assim, mesmo que não vença, ficará como o arauto da estabilidade e, poderá sempre fundamentar o falhanço com uns casos de arbitragem, que sempre acontecem, que prejudicaram o FCP e beneficiaram os rivais. Enfim, o costume. Pinto da Costa saberá melhor que ninguém  fazer a gestão dos seus  erros. 

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