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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sab | 22.11.14

Sobre a detenção de José Sócrates

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Ontem, às 22h42, ao chegar de Paris, José Sócrates foi detido no aeroporto de Lisboa pelo procurador Rosário Teixeira e por agentes da Autoridade Tributária como se houvesse perigo de fuga.

Com devida antecedência alguém avisou as estações de televisão para montarem todo circo mediático.

A jornalista do semanário Sol, que ao que parece tem sempre fontes privilegiadas - já assim havia sido com o caso Casa Pia - foi informada de matéria que deveria estar em segredo de justiça, fazendo artigos que não se limitam apenas a noticiar os factos, mas a condenar o ex-governante, antes mesmo de este ser julgado.

É evidente que num Estado de direito ninguém está acima da lei. Contudo, parece-me evidente que todos têm direito ao bom nome e a igual proteção da lei. Será que era mesmo necessário ir deter José Sócrates na manga avião? E era preciso avisar previamente todas as televisões e arranjar aquele espalhafato todo no aeroporto de Lisboa? Uma questão estritamente judiciário-penal foi transformada num arraial político. O que eu espero e desejo é que as notícias vindas a público tenham o mínimo de consistência porque, caso contrário estes factos seriam ainda mais graves.

O país está obviamente estupefacto, não se fala doutra coisa, até porque é a primeira vez na história da democracia portuguesa que um ex-primeiro-ministro é detido para interrogatório judicial e este caso vem abafar completamente a notícia da passada semana dos vistos gold.

Já se sabe que a figura de José Sócrates sempre suscitou amores e ódios em doses iguais. Hoje, nas redes sociais esta notícia é motivo de festejo para os seus inimigos como um qualquer ditador sanguinário tivesse sido derrubado. Por sua vez, para os socratistas foi um murro no estômago e para já mantêm-se cautelosos.

A detenção de José Sócrates no dia da eleição do novo secretário-geral do PS é necessariamente um prejuízo para o PS e para o novo ciclo. António Costa sairá certamente ‘chamuscado’ com este caso, não apenas porque era amigo pessoal de Sócrates, mas porque também, ao contrário do seu antecessor nunca renegou a herança política do socratismo.

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