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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qui | 18.09.14

Sobre a Independência da Escócia

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Cerca de 4,3 milhões de eleitores decidem hoje em referendo se querem permanecer no Reino Unido ou pretendem a independência da Escócia, colocando fim a uma união política com mais de três séculos.

O país encontra-se unido à Inglaterra desde 1707, mas o nacionalismo tem crescido em força nas últimas décadas, sobretudo desde a eleição do governo de David Cameron.

A Escócia votou a favor da devolução parcial de poderes ao território em 1997, que resultou numa maior autonomia em áreas como educação, saúde, justiça e segurança. Mas Londres detém ainda poderes em áreas como a imigração, segurança social, defesa e política externa.

Caso o 'sim' vença, começa um processo que, dentro de um ano e meio, implicará o desaparecimento do Reino Unido na sua forma atual e no surgimento de uma nova nação na Europa.

Desde da Rainha às forças nucleares, passando pela política de imigração e pela bandeira tudo será submetido a uma redefinição.

O nome de um futuro Reino Unido sem a Escócia é uma das questões mais controversas. É provável que o nome continue o mesmo, mas o termo adquiriria uma nova conotação,  já que se transformaria num país com menor influência global.

Na eventualidade da Escócia continuar a adotar a libra como moeda, as autoridades em Londres advertem que não levarão em conta a vontade da Escócia na hora de desenhar a política monetária. Outra possibilidade seria adotar o euro como moeda oficial, mas isso faria com que as taxas de juros, a regulação financeira e as políticas fiscais provavelmente passassem a ser dirigidas por entidades externas.

É quase certo que a Escócia independente venha a fazer parte da União Europeia, mas o processo não será célere. O novo país deve solicitar sua adesão, o que exige a aprovação e ratificação pelos parlamentos dos 28 países-membros.

A independência da Escócia poderá abrir uma caixa de pandora relativamente a outros movimentos na Europa.

Nesta altura, muitas regiões europeias estão de olhos postos na Escócia, vendo como o país vai conseguir restaurar a sua independência, num quadro legal e pacífico, e tal poderá ser o mote para novos referendos. Em Espanha, Itália, Bélgica e até em Portugal há partes do território que já manifestaram desejos separatistas e o mesmo poderá acontecer noutras latitudes europeias, onde movimentos independentistas poderão significar o fim do sossego para alguns países de menor dimensão, com o libertar de velhos demónios semelhantes aos dos Balcãs.

E a Europa que neste momento está apenas focada na resolução das crises do imediato, faltando-lhe uma visão política e estratégica prospetiva que antecipe a forma de lidar com estas questões, terá que encontrar uma solução rápida que lhe permita responder a este tipo de situações com que está confrontada.