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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 19.12.14

Sobre a privatização da TAP

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A privatização da TAP voltou a estar na ordem do dia. Esta ideia não é nova, nem nasceu com este governo, ela começou a tomar forma durante os governos liderados por Cavaco Silva, nos anos noventa, tendo sido, desde então, sucessivamente adiada.

A partir daquela data, todos os governos colocaram este tema na agenda e naturalmente este governo não foi exceção. Contudo, desde o início que o executivo esteve consciente de que a venda da TAP é um processo delicado e complexo e uma pasta difícil de gerir nestes quase três anos e meio de mandato.

No verão de 2012, a venda da empresa esteve prestes a concretizar-se, porém, foi cancelada à última hora, porque o empresário Efromovich não ofereceu garantias financeiras suficientes para fechar o negócio.

A fim de prevenir uma situação semelhante, o Governo afirmou que só iria relançar o processo quando surgissem potenciais interessados com propostas atraentes e competitivas. Mas, eis que no mês passado, decidiu reabrir a o processo pela alienação das ações representativas de até 66% do capital social da TAP SGPS.

O simples anúncio da privatização provocou um coro de protestos. Para além da greve e dos efeitos negativos que acarreta, há toda uma oposição que é contra, e já há inclusive um manifesto de vários notáveis que mostraram a sua discordância contra a venda da companhia aérea, o que deverá fazer o governo arrepiar caminho a dez meses das eleições legislativas.

Na próxima legislatura, tudo indica que os destinos do país deverão ser entregues a António Costa, o qual manifestou-se já contra a privatização.

Assim sendo, ou muito me engano ou este será mais um dossiê que tem fortes probabilidades de ser arrastado, uma vez mais, para as «calendas gregas».