Sobre a privatização da TAP
A privatização da TAP voltou a estar na ordem do dia. Esta ideia não é nova, nem nasceu com este governo, ela começou a tomar forma durante os governos liderados por Cavaco Silva, nos anos noventa, tendo sido, desde então, sucessivamente adiada.
A partir daquela data, todos os governos colocaram este tema na agenda e naturalmente este governo não foi exceção. Contudo, desde o início que o executivo esteve consciente de que a venda da TAP é um processo delicado e complexo e uma pasta difícil de gerir nestes quase três anos e meio de mandato.
No verão de 2012, a venda da empresa esteve prestes a concretizar-se, porém, foi cancelada à última hora, porque o empresário Efromovich não ofereceu garantias financeiras suficientes para fechar o negócio.
A fim de prevenir uma situação semelhante, o Governo afirmou que só iria relançar o processo quando surgissem potenciais interessados com propostas atraentes e competitivas. Mas, eis que no mês passado, decidiu reabrir a o processo pela alienação das ações representativas de até 66% do capital social da TAP SGPS.
O simples anúncio da privatização provocou um coro de protestos. Para além da greve e dos efeitos negativos que acarreta, há toda uma oposição que é contra, e já há inclusive um manifesto de vários notáveis que mostraram a sua discordância contra a venda da companhia aérea, o que deverá fazer o governo arrepiar caminho a dez meses das eleições legislativas.
Na próxima legislatura, tudo indica que os destinos do país deverão ser entregues a António Costa, o qual manifestou-se já contra a privatização.
Assim sendo, ou muito me engano ou este será mais um dossiê que tem fortes probabilidades de ser arrastado, uma vez mais, para as «calendas gregas».
