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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Sab | 29.04.17

Sobre a tolerância de ponto pela visita do papa a Portugal

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O Governo entendeu dar tolerância de ponto aos funcionários públicos por ocasião da visita papal a 12 de maio

 

A opção do Governo já mereceu críticas por parte de deputados do PS, entre eles Tiago Barbosa Ribeiro e Isabel Moreira. Os parceiros do Governo, BE e PCP, bem como os partidos de direita afirmaram não se opor à tolerância de ponto no primeiro dia da visita do Papa a Fátima,  mas os comunistas têm dúvidas devido à «separação entre as Igrejas e o Estado».

 

Não vejo qualquer inconveniente em prejuízo da laicidade do Estado. O Estado é laico, mas a sociedade e os cidadãos não têm necessariamente de o ser, até porque a nossa matriz civilizacional é judaico-cristã. Se vamos por aí então teríamos que questionar os feriados religiosos e os dias concedidos pela Páscoa e pelo Natal. A laicidade do estado não deve significar hostilidade contra as convicções religiosas.

 

Parece-me exagerada se não mesmo ridícula esta tolerância de ponto por outros motivos: primeiro, porque as comemorações são a 13 de maio e não a 12. Depois, porque é discriminatória para com o setor privado e finalmente porque o facto do funcionalismo público gozar esta tolerância criará necessariamente entropias nos serviços, obrigando ao cancelamento de cirurgias, consultas e demais atos médicos; ao encerramento de escolas constituindo um problema para os encarregados de educação, ao adiamento de audiências em alguns tribunais e ao reagendamento de todos os serviços públicos calendarizados para esse dia.

 

Julgo, por isso, que seria mais sensato respeitar a visita do Papa e encará-la como uma visita de Estado não concedendo tolerância de ponto aos funcionários públicos.