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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Qua | 02.07.14

Sophia de Mello Breyner no Panteão

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 (imagem do google) 

Os restos mortais da escritora e poetisa Sophia de Mello Breyner serão hoje transladados para o Panteão Nacional, quando se comemoram dez anos sobre a sua morte e o 40.º aniversário do 25 de Abril, esse «dia inicial inteiro e limpo», como a própria o descreveu naquele que é provavelmente o mais belo dos poemas dedicados à revolução de abril. A cerimónia inclui um cortejo solene que partirá do cemitério de Carnide e percorrerá as ruas de Lisboa, rumo à Igreja de Santa Engrácia.

A ideia de trasladar Sophia para o Panteão surgiu no final do ano passado, após um artigo que o escritor José Manuel dos Santos assinou no jornal PÚBLICO.

Ainda no final de 2013, por iniciativa dos deputados Marco Perestrello (PS) e Nuno Encarnação (PSD), a proposta chegou ao Parlamento, onde veio a ser aprovada por unanimidade em Fevereiro deste ano. 

Sophia é apenas a quinta personalidade a quem o regime democrático concede esta honra. As anteriores foram Humberto Delgado, em 1990, Amália Rodrigues, em 2001, Manuel de Arriaga e Aquilino Ribeiro, em 2007.

É possível que no século XX português tenha existido outros vultos de grandeza equivalente a Sophia de Mello Breyner. Alguns  merecerão igual honestidade cívica, ética e política, outros terão sido igualmente considerados.  Mas é difícil encontrar alguém que reúna todas estas características. Foi este «encontro perfeito» que levou José Manuel dos Santos a propor a entrada de Sophia no Panteão Nacional, para lhe prestar o tributo que merece, mas também, assume, para revalorizar a própria instituição.

É a ele que caberá fazer neste dia a evocação da homenageada, numa cerimónia que foi pensada ao milímetro que contará com momentos marcantes e simbólicos  da vida da poetisa. «Tentarei falar dela como ela falou dos poetas que admirava», diz José Manuel dos Santos, que sublinha que não se tratará de um elogio fúnebre, até porque a entrada no Panteão representa «uma espécie de ressurreição simbólica».

O atual templo que alberga o Panteão Nacional foi construído no preciso local onde primitivamente existiu um templo de meados do século XII e, em 1568, a Infanta D. Maria, filha de D. Manuel I, mandou erguer uma igreja para receber o relicário da virgem mártir Engrácia de Saragoça, daí derivando a sua atual designação. O começo das obras de construção da atual igreja iniciaram-se em 1682 e prolongaram-se indefinidamente, apenas ficando concluídas em 1966, tendo o seu arrastamento no tempo dado origem à expressão popular obras de Santa Engrácia que serve para designar as obras que não possuem fim à vista.

Almeida Garrett, Amália Rodrigues, Aquilino Ribeiro, Guerra Junqueiro, Humberto Delgado, João de Deus, Manuel de Arriaga, Óscar Carmona, Sidónio Pais e Teófilo Braga são as personalidades que se encontram sepultadas no Panteão Nacional que hoje recebe a poetisa Sophia de Mello Breyner e Andresen.

Fonte: Público