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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 17.02.15

Trabalhar no dia de Carnaval

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«O Governo decidiu que os funcionários públicos têm de trabalhar no dia de Carnaval. Em sentido contrário, os Governos Regionais dos Açores e da Madeira dão tolerância de ponto, assim como a maioria das câmaras municipais de todo o País.

As escolas têm férias, grande parte das empresas, privadas mas também de capitais públicos, não trabalha ou mantém apenas os serviços essenciais e os transportes públicos vão praticar horários de fim-de-semana. O resultado é que o Estado vai ser obrigado a pagar subsídio de almoço, o que se calcula que custe mais de dois milhões de euros, além de electricidade, gás, água e outros consumíveis, que devem custar outro tanto. Os funcionários, sem nada que fazer, vão inventar formas de se manterem activos. 

Quem tem filhos pequenos e não tem onde os deixar vai levá-los para o trabalho. Ou seja, não é possível rentabilizar uma estrutura que funciona quando quase tudo e quase todos à volta estão parados. Retirar a tolerância de ponto no Carnaval tem o mesmo resultado dos cortes nos salários dos funcionários das empresas de capitais públicos que não têm forma de os entregar ao Estado e, por isso, não contribuem para o esforço colectivo.

É preciso fazer a contabilidade entre o que se ganha e o que se perde com os festejos do Entrudo para saber o que é melhor para o País. O Carnaval até podia ser um dia normal de trabalho, mas para ter resultados práticos teria de ser estendido a todos. O dia de trabalho só funcionaria se não houvesse convenções colectivas que impõem o dia de Carnaval como feriado».

Caso para dizer: «pior a emenda que o soneto».

Fonte: Diário Económico

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