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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Dom | 08.09.19

Um ano de Frederico Varandas

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Há um ano, nas eleições mais concorridas de sempre do Sporting, o ex-diretor clínico, Frederico Varandas, ganhava com 42,32 por cento dos votos e assumia a  presidencia do clube.


Após um ano à frente do Sporting Clube de Portugal, a sua presidência  foi pautada por momentos altos e baixos. Conquistaram-se importantes títulos, mas também se falharam outros.


A sua primeira medida no futebol foi despedir, em novembro, o treinador da altura, José Peseiro, contratado por Sousa Cintra, no período em que se fez a transição da saída de Bruno de Carvalho e a entrada de Frederico Varandas. Após quatro jogos com Tiago Fernandes, foi anunciada a contratação de Marcel Keizer, uma escolha pessoal de Frederico Varandas.


Marcel Keizer, sem grande currículo e um ilustre desconhecido em Portugal, assumiu o comando técnico e, nos cerca de 10 meses que comandou a equipa, conquistou a Taça da Liga e a Taça de Portugal, ambas em finais ganhas nas grandes penalidades diante do FC Porto.


Porém, Keizer não resistiu à pesada derrota na Supertaça (5-0 com o Benfica) e ao desaire com o Rio Ave na última jornada (3-2), derrotas que fragilizaram o holandês, que acabou por sair por mútuo acordo, ocupando o seu lugar de forma interina, Leonel Pontes, treinador dos sub-23, que assumiu a função de treinador, estando o Sporting no quinto lugar da I Liga, com sete pontos. Segundo Varandas, Leonel Pontes pode passar a permanente no Sporting, mas tem de apresentar resultados: «Não tem prazos, tem uma tarefa. Estaremos com ele para observar aquilo que tivermos de observar», disse.


Entretanto, com dívidas na ordem dos 100 milhões de euros, o Sporting viu-se obrigado a efetuar uma reestruturação financeira com um empréstimo obrigacionista junto dos bancos (um processo por finalizar) e securitizar ainda o contrato com a NOS.

 

Gorada que foi a venda de Bruno Fernandes e a não entrada nos cofres leoninos de 70 milhões, com a venda do seu melhor jogador, Frederico Varandas não teve outra solução se não poupar em vencimentos do plantel, ação que já tinha iniciado em janeiro, com as saídas a custo zero de jogadores como Nani e Freddy Montero.


Primeiro saiu o holandês Bas Dost, o mais bem pago da equipa (cerca de 6 milhões de euros). O ponta de lança, já tinha demonstrado vontade de sair em maio e foi agora vendido ao Eintracht Frankfurt por sete milhões de euros, naquele que foi o «negócio possível», segundo Varandas, a que se juntaram as rescisões de Petrovic, André Pinto e Jefferson e os empréstimos de Alan Ruiz e Diaby.


Mais tarde, perto do fecho do mercado, concretizaram-se as vendas de Thierry Correia, ao Valência, por 12 milhões de euros, de Raphinha, ao Rennes, por 21, e o acordo, finalmente, alcançado com o Olympiacos, pela transferência de Daniel Podence, no valor de sete, ajudaram a melhorar a situação financeira do clube, mesmo que continue a «não ser ideal», no ponto de vista do líder leonino.


Certo é que o Sporting consegue encaixar 60 milhões de euros, nesta janela de mercado, com estas vendas e transferências, perdendo apenas dois titulares indiscutíveis, mas mantendo o melhor médio da Europa, como afirmou Varandas em entrevista à Sporting TV.


Perto do fecho do mercado e para a temporada 2019/2020, os leões garantiram o extremo brasileiro Fernando por empréstimo do Shakthar Donetsk. Também o espanhol Jesé Rodríguez, de 26 anos foi confirmado em Alvalade por empréstimo do PSG por um ano, podendo depois acionar a opção de compra no final da temporada pelo extremo. Nos últimos minutos de mercado, foi ainda anunciada a contratação de Yannnick Bolasie. O futebolista de 30 anos chega por empréstimo do Everton.


Dos três reforços, Fernando é o único que ainda não está 100 por cento apto, tendo realizado trabalho de correção de desequilíbrios musculares nos primeiros dias após a chegada a Alcochete.


Fala-se que são bons jogadores, mas vem de lesões graves, o que os impediu de fazer uma boa carreira. Não é certo que peguem de estaca.


No que às principais modalidades diz respeito, os leões fizeram uma campanha poucochinha nas competições internas, mas venceram pela primeira vez a Liga dos Campeões de futsal, depois de finais perdidas em 2011, 2017 e 2018, e também a de hóquei em patins, 42 anos depois. O basquetebol é uma modalidade que regressa ao clube para a temporada 2019/2020.

 

A Academia do Sporting parece ter ganhado outra dinâmica e outro fôlego, bem como o projeto de formação.


A nível de comunicação, abandonámos o registo agressivo de antigamente e pelo menos as mensagens não são dadas através das redes sociais.


Não foi tudo bem feito antes, como não é tudo bem feito agora. Mas sente-se um clima de acalmia e o Clube a querer organizar-se, em todos os capítulos. Ainda não está bem? Não. Mas deixem trabalhar quem foi eleito para tal.


Na parte final da entrevista à Sporting TV, Varandas afirmou que no Sporting os seus “esqueletos" que estão nos armários saem ao mais pequeno frisson para dividir o clube, referindo-se naturalmente aos seus rivais que com ele disputaram a eleição para presidente do clube e aos apoiantes de Bruno de Carvalho.


Aliás, o Sporting, deve de ser o clube mais apetecível do Mundo, a avaliar pelo número de ‘viscondes’ a quererem comandar os seus destinos!