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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Sex | 18.10.19

Um grande exemplo!

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Sadio Mané, avançado do Liverpool, é um jogador de eleição. O jogador tem uma trajetória longa no futebol e parece gostar muito da profissão que escolheu. Depois de uma temporada fantástica no Liverpool em 2018/19, onde se sagrou campeão europeu e vice-campeão inglês antes de chegar também à final da Taça das Nações Africanas, o senegalês de 27 anos teve um contributo decisivo para o bom arranque de temporada do conjunto de Jürgen Klopp, apontando oito golos em 11 jogos que valeram aos reds oito triunfos seguidos na Premier League e a conquista da Supertaça Europeia.

 

Na véspera da final da Liga dos Campeões com o Real Madrid, Sadio Mané, não quis passar ao lado do momento e decidiu oferecer 300 camisolas do clube inglês a habitantes da sua pequena aldeia com cerca de 2.000 residentes em Sédhiou. Naquele ponto de Senegal, o dia foi de feriado só para assistir ao jogo da estrela do seu país, na Champions, o mesmo palco que o tinha encantado aos 13 anos quando viu os reds darem a volta ao jogo decisivo perante o gigante AC Milan de 3-0 para 3-3, antes do triunfo nas grandes penalidades.

 

Mané é muito comprometido com o seu país e afirmou que precisa de muito pouco para ser feliz. Depois de conseguir realizar o sonho de ser jogador de futebol, Mané prometeu devolver uma parte do que ganhou para a sua comunidade. Em 2018, o jogador doou € 200 mil para a construção de uma escola na sua terra.

 

Revelou estar bem no Liverpool, com ou sem novo contrato, porque se sente acarinhado pelo clube, pelos adeptos e pela cidade, e voltou a dar provas de altruísmo ao revelar: «construí escolas, construí um estádio. Forneço roupa, sapatos, comida para pessoas que estão em situação de pobreza extrema. E dou 70 euros por mês a todas as pessoas de uma região muito pobre no Senegal, que contribuem para as economias familiares delas. Não preciso de andar a exibir carros de luxo, mansões, viagens ou até aviões. Prefiro que o meu povo receba um pouco daquilo que a vida me deu», acrescentou.

 

«Para que quero dez Ferraris, 20 relógios de diamantes ou dois aviões? O que é que esses objetos vão fazer por mim e pelo mundo? Passei fome, tive de trabalhar no campo. Passei por tempos difíceis. Jogava futebol descalço, não tinha educação, não tinha outras coisas. Agora, com o que ganho graças ao futebol, posso ajudar as outras pessoas. Não uso o meu dinheiro para comprar Ferraris, quero ajudar os meus. Eu prefiro construir escolas e dar comidas ou roupas a pessoas pobres», referiu.

 

Num mundo onde impera o consumismo e o egocentrismo, aparece por vezes alguém que nos surpreende e faz pensar. Mané mostrou como, até no futebol, podemos mudar o mundo para melhor.

 

O futebol, como tudo na vida, tem destes exemplos. Este é excelente. Fiquei, por isso,  a admirá-lo não apenas como jogador, o que já acontecia, mas também como grande ser humano que é. Pena que não haja mais como ele!