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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Ter | 05.03.19

Um saco sem fundo

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O Novo Banco pediu uma nova injeção de capital de 1149 milhões de euros, o que levou o Ministério das Finanças a requerer uma auditoria face ao que considera ser um «valor expressivo» das perdas registadas.


Mais de metade deste valor resulta de perdas verificadas nos ativos problemáticos herdados do BES, sendo que 350 milhões de euros devem-se a exigências do regulador. A instituição registou em 2018 um prejuízo consolidado de 1.413 milhões de euros, menos 38,5% do que no ano anterior.

 

Quando ficou fechada a venda da instituição ao fundo americano, Lone Star, em outubro de 2017, foi criado um mecanismo de capital contingente que obriga o Fundo de Resolução (uma entidade pública que é financiado pelos bancos do sistema) a injetar dinheiro no banco sempre que as perdas na alienação de ativos problemáticos provoquem uma descida dos rácios abaixo dos níveis exigidos. Foi o que aconteceu em 2018 e também vai acontecer agora em 2019: o Fundo de Resolução vai ser chamado a contribuir com mais 1.149 milhões de euros para o banco restabelecer o seu equilíbrio financeiro


É a segunda vez que é solicitada esta ajuda através do mecanismo de capital contingente. Não deverá ser a última. Em quantos milhares de milhões vai a conta?


As ajudas ao sistema financeiro português já custaram aos contribuintes cerca de 17 200 milhões de euros, entre 2008 e 2018.


Com o recém-anunciado pedido de 1149 milhões de euros do Novo Banco ao Fundo de Resolução, este ano a fatura pode chegar aos 18 350 milhões de euros, uma média de quase 1800 euros – a pagar por cada português.


«Se ficar a dever 100 dólares a um banco, o problema é seu. Se ficar a dever um milhão, o problema é do banco». Do banco, leia-se, dos seus trabalhadores, dos acionistas (especialmente os pequenos) e dos contribuintes.

 

A frase, da autoria de Jean Paul Getty, homem de negócios norte-americano e sobrevivente da grande crise americana de 1929 é uma máxima que continua atual até hoje e aplica-se bem aos contribuintes portugueses, que se habituaram nos últimos anos a conviver e a suportar o crédito tóxico da banca, as famosas imparidades.