Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Seg | 17.06.19

Viagem aos Açores

narrativadiaria

 

açores.jpg

(Lagoa de Santiago - s. Miguel )

 

Cá estou,  depois de umas miniférias nos Açores, com passagem pelas ilhas de S. Miguel e Terceira, no Arquipélago dos Açores. Uma experiência inesquecível.

 

As Ilhas açorianas são conhecidas reconhecidas como Património da Humanidade pela UNESCO. A revista National Geographic Traveler elegeu o arquipélago dos Açores, em Portugal, como as segundas melhores ilhas do mundo, atrás das ilhas Faroé, na Dinamarca.

 

Na verdade esta ilhas proporcionam experiências incríveis. Numerosos miradouros permitem vistas deslumbrantes. Montanhas e vales tranquilos, cobertos de exuberante vegetação, lagoas de enorme beleza alojadas em crateras de vulcões extintos, fumarolas nascentes de água quente, picos imponentes e cavernas misteriosas, a contrastar com campos cuidadosamente cultivados, conferem ao arquipélago uma variedade paisagística rara. Devido a uma atmosfera única, sem poluição, a paisagem adquire tonalidades invulgares, num ambiente de grande tranquilidade e beleza.

 

Da conjugação de todos estes fatores resulta uma suavidade de clima que conjugado com a particular natureza do solo, origina uma fertilidade de terra que se traduz na presença das mais variadas e exóticas espécies vegetais.

 

Nas águas do Arquipélago são frequentes a visualização de espécies, como o golfinho, o cachalote e a baleia. Este é um espetáculo muito apreciado pelos turistas.

  

A ilha de S. Miguel, considerada por muitos a mais bonita, é, sem dúvida, a mais diversificada  ilha dos Açores e não será de admirar, pois, que muitos turistas optem por iniciar a exploração deste magnífico arquipélago em São Miguel, a principal ilha dos Açores. Não há um único visitante que não fique impressionado com as diferentes tonalidades de verdes exibidas nas suas vastas paisagens, com vaquinhas, campos de bananas e ananases, plantações de chá, bem como com a abundância de cores que esta ilha tem para oferecer... sempre tão agradáveis à vista.

 

Cobrindo uma área de, aproximadamente, 747 km2 (65 km de comprimento e 16 km de largura), São Miguel é a que tem a maior densidade populacional dos Açores, com cerca de 135,000 habitantes - representando mais de metade da população total do arquipélago. Com o epíteto de 'ilha verde', merecido pela sua extraordinária fertilidade.

 

São Miguel é, indiscutivelmente, o centro económico, político e intelectual do arquipélago. A sua capital, Ponta Delgada, é a sede da presidência da Região Autónoma dos Açores, contando também com o mais importante porto de pesca e comércio do arquipélago, com a única universidade existente nesta região e com um dos três aeroportos internacionais existentes neste conjunto de ilhas.

 

Os habitantes de São Miguel vivem maioritariamente na costa Sul, sobrevivem predominantemente da agricultura - sendo as principais culturas o milho, os figos, as laranjas, o ananás, o chá, o tabaco e o vinho - da criação de gado, da pesca, do comércio e do turismo, este último sendo mais evidente aqui do que nas outras ilhas. O verdadeiro ambiente açoriano são os prados verdes cheios de “vacas felizes”.

 

A visita às estufas que albergam as plantações de ananás são sobretudo surpreendentes. Por exemplo, quantos de nós sabíamos que todo o processo de produção demora cerca de 24 meses?

 

Na passagem pela Ribeira Grande vale a pena parar para visitar a Fábrica de licores "Mulher de Capote". Aqui percebemos como se fazem, conhecemos muitas variedades e ainda nos dão a provar vários tipos de licor.

  

De origem vulcânica, bem como o resto do arquipélago, esta ilha montanhosa é caracterizada por dois maciços vulcânicos separados por uma cadeia de cones basálticos, atingindo Alturas entre os 200 e os 500 m no centro Oeste. As impressionantes crateras das Sete Cidades, do Fogo e das Furnas transformaram-se em misteriosas lagoas no meio das montanhas que representam uma das principais atrações turísticas.

                                                                                                                

Na capital de São Miguel, a movimentada cidade de Ponta Delgada, respira-se história e romantismo. Um passeio pelas ruas apertadas ou pelos seus românticos jardins vão dar à bela Igreja Matriz, aos vários antigos conventos, ao Forte de São Brás e, claro, as emblemáticas Portas da Cidade.

 

A par do ritmo insular, a capital tem crescido e apelado à modernidade, por exemplo, na Marina, onde não falta animação nos muitos bares, cafés e restaurantes, com turistas, embora não se sinta, ainda, aquele turismo massificado sentido em outros pontos da Europa.

  

Desde o século XV, erupções vulcânicas e tremores de terra assolaram a ilha em diversas ocasiões - o mais grave, que devastou grande parte de São Miguel, ocorreu em 1522 – e, ainda hoje, se encontram manifestações de atividade vulcânica, tais como fontes de água quente e fumarolas, particularmente evidentes nos vales das Furnas, perto da costa Sul, e da Ribeira Grande, perto da costa Norte. Em alguns lugares, a terra está tão quente que o típico cozido pode ser invulgarmente cozinhado numa panela debaixo do solo durante várias horas - um prato muito apreciado pelos turistas e apenas confecionado desta forma nos Açores.

 

O famoso cozido das Furnas tem um cheiro muito característico e nada agradável, mas apenas se sente quando nos aproximamos das fumarolas. O cozido desiludiu-me: é seco, desenxabido, não me pareceu nada de especial e prefiro mil vezes o cozido do Continente. Mas, o encanto da localidade das Furnas está nas poças de água quente: a Poça da Dona Beija e a do Parque Terra Nostra. Com água a cerca de 38ºC tão relaxante que só experimentando é que se pode compreender verdadeiramente. E, claro, o Parque Terra Nostra. O parque é grande jardim botânico com uma variedade enorme de plantas e árvores, além de contar com lagos, riachos e uma piscina de água quente termal ferruginosa. Este é um dos motivos que leva milhares de visitantes a acorrer a este local e a desfrutar de fantásticos banhos de água quente.

  

A Caldeira Velha é uma zona com várias piscinas naturais que vale sempre a pena visitar, onde também há água deliciosamente quente para se banhar, rodeada de natureza.

 

Na ilha de São Miguel há praias muito agradáveis. Em vários locais encontramos baías onde existem nascentes hidrotermais submarinas que tornam a água do mar tépida em qualquer altura do ano. É bom exemplo disso a Praia do Fogo, na Ribeira Quente.

 

Vale a pena, ainda, uma visita a praia de Santa Bárbara, na Ribeira Grande, uma das mais extensas e bem equipadas a nível de infraestruturas; a praia do Pópulo, uma piscina natural e onde o acesso ao mar é feito por escadas. A origem vulcânica do arquipélago faz com que a areia das praias seja escura ou de calhau negro.

 

As Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres acontecem cinco semanas depois da Páscoa. A figura do Senhor Santo Cristo é alvo de uma enorme devoção nas ilhas dos Açores e, por esta altura, a sua imagem é levada do convento de Nossa Senhora de Esperança, durante horas em procissão pelas ruas de Ponta Delgada. A par das festividades religiosas, à noite as ruas enchem-se de barraquinhas de comes e bebes e concertos de música ao vivo. Durante três dias é animação garantida.

  

4107175.jpg

(Monte Brasil - Terceira)

A Ilha Terceira está localizada no grupo central do arquipélago dos Açores onde se encontram também as ilhas da Graciosa, São Jorge e Pico. Esta é a terceira maior das nove ilhas que compõem o arquipélago, com um pouco mais de 400km2, e, é a segunda mais povoada (atrás de S. Miguel) com perto de 60 mil habitantes. De origem vulcânica e com mais de 500 anos de povoamento, a Terceira destaca-se pelas paisagens onde predomina a cor verde.

 

A capital é Angra do Heroísmo. O planalto preenche grande parte do interior da ilha e pode ser avistado a partir da Serra do Cume. Um cenário perfeito para um registo fotográfico.

 

A ilha Terceira exibe paisagens naturais, marcadas por vulcões, torrentes de lava, vegetação endémica e um diversificado património espeleológico.

 

O litoral oferece cenários de rara beleza, marcados pela penetração da lava no oceano e por cones vulcânicos. O Monte Brasil é o mais imponente vulcão litoral do Açores que teve origem em erupções submarinas que ocorreram há menos de 22 000 anos ao largo da ilha. Nos ilhéus observamos espécies vegetais endémicas e autênticos santuários de aves marinhas que repousam nos restos de antigos vulcões submarinos.

 

A paragem na zona dos Biscoitos (pedras) é refrescante. Mergulhamos nas piscinas naturais, originadas por erupções vulcânicas antigas. Na verdade, não são únicas, uma vez que ao redor da ilha podemos encontrar inúmeras piscinas naturais com estas características.

 

Por pastagens e caminhos, ladeados de hortênsias e matas selvagens, somos transportados até  ao Algar do Carvão. Quem visita a Ilha Terceira não pode deixar de conhecer a Gruta do Algar do Carvão, um mergulho literal nas profundezas na terra, descendo 200 degraus. Esta impressionante gruta exibe inúmeras estalactites e estalagmites de sílica amorfa, nas cavidades vulcânicas dos Açores e é das estruturas mais exuberantes, raras e belas existentes no mundo (apenas existe outra semelhante na Indonésia).

  

Alcatra é o prato típico da ilha e uma refeição obrigatória para todos que por ali passam. O nome “alcatra” não se refere a um corte de carne de vaca, mas sim a um prato cozinhado durante 12 horas numa espécie de alguidar de barro.

 

Na Terceira também se faz sentir fortes tradições populares, como o caso das danças e cantares, as touradas à corda, bem como convicções religiosas muito enraizadas que se traduzem nas inúmeras igrejas e nas procissões ao longo de todo o ano, fazem parte da vivência do povo açoriano.

 

As Festas do Espírito Santo celebram-se um pouco por todas as ilhas dos Açores, com algumas variações. Acontecem sete semanas depois da Páscoa e para além das procissões religiosas que enchem as ruas, enchem a barriga e a alma as famosas Sopas do Espírito Santo, com muito pão e carnes variadas! Há muita música e bailaricos pelos vários “Impérios” das freguesias da ilha.

 

Chegou ao fim uma viagem de cinco dias por estas duas ilhas e ficou ainda muito por ver e por explorar. Estas duas ilhas são  maravilhosas, tudo muito verde, tudo muito bem tratado e cuidado, com flores nos canteiros. As casas caiadas de branco contrastam com as calçadas portuguesas de rocha negra basáltica. São o lugar ideal para relaxar e aproveitar ao máximo a natureza. Uma viagem imperdível para os sentidos!

 

Tive ainda muito sorte com o tempo. Apanhei dias ótimos, apenas um com chuva miudinha, mas que não impediu de cumprir o programa destinado para aquele dia. Esta semana parce que o tempo por lá está agreste. Com chuva intensa.

2 comentários

Comentar post